Milhares de pessoas acreditam que as redes sociais são as responsáveis pelo fim dos relacionamentos atuais. Eu discordo. Bom, em partes; claro que se um dos parceiros de um namoro está usando as redes sociais de forma inapropriada e desrespeitosa, isso implicará no rompimento, mas aí temos que culpar a infidelidade e a falta de caráter, não as redes sociais.
Não. Não é delas que eu falo quando digo que os celulares estão acabando com os relacionamentos. O que acontece é que tudo é tão rápido, tão prático que muitas vezes não paramos para pensar antes de enviar uma mensagem de texto, um WhatsApp ou até mesmo ligar para alguém esbravejando na hora da raiva. Uma simples coisa se transforma em tempestade em copo d'água, afinal, pra que deixar pra depois se posso xingar agora?
Antes não era assim. Antes, qualquer desavença que existisse deveria esperar o momento de ambos estarem juntos e, convenhamos, a maioria das coisas que nos irrita e faz dizer coisas indizíveis são tão bobas que a gente simplesmente esquece quando nos damos um tempo para refletir e relaxar. Depois de grande parte das brigas que temos, nos perguntamos: "mas será que isso era realmente necessário?" e geralmente não era.
Mas não é só isso: com a troca de mensagens instantânea, tudo é compartilhado o tempo todo! Todas as novidades são divididas em tempo real, a poucos ou muitos quilômetros de distância. E o que acontece quando as pessoas se encontram? Isso mesmo: não há assunto. Tudo já foi dito. E aí, o que resta é cada um pegar o seu celular e ir para um canto ou, então, pegar o celular para ver o que há de novo e ver se assim arranja o que falar. Nos relacionamentos entre amigos, isso gera distanciamento; nos relacionamentos amorosos, isso gera o tédio, a falta de diálogo, brigas e um inevitável fim.
E não vamos nos esquecer das fotos! Ah, as fotos. Tão bonitas no feed do Instagram, com filtro para melhorar ainda mais e uma legenda arrebatadora. Enquanto você posta, a pessoa que lhe acompanha fica de lado, talvez olhando para o próprio celular. Compartilhar a alegria não é ruim, longe de mim dizer isso. O problema é que tanta gente se prende a parecer feliz nas redes sociais que esquece de ser feliz na vida real. E aí, olhando as próprias fotos e a dos outros, se pergunta onde está errando e por que não encontra toda a felicidade contida ali.
Não é que no fim talvez as redes sociais tenham, sim, sua parcela de culpa? Não pelos motivos que a maioria das pessoas acredita, mas sim porque nós desaprendemos a esperar, a nos encontrar, a estar ali verdadeiramente por aqueles que amamos. Vamos combinar uma coisa? Esse final de semana, deixe o celular de lado! Fique com as pessoas que te fazem bem sem precisar provar nada a ninguém e depois volte para me contar como foi a experiência.